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Tribunal de Contas de Minas Gerais aponta impacto mínimo da nova jornada de trabalho nas prefeituras, enquanto CNM estima custos bilionários

Tribunal de Contas de Minas Gerais aponta impacto mínimo da nova jornada de trabalho nas prefeituras, enquanto CNM estima custos bilionários

Tribunal de Contas de Minas Gerais aponta impacto mínimo da nova jornada de trabalho nas prefeituras, enquanto CNM estima custos bilionários

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O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) afirmou nesta sexta-feira, 16 de novembro, que a implementação da Emenda Constitucional que substitui a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho seguidos por um de descanso) pela jornada 5×2 (cinco dias de trabalho com duas folgas semanais) terá impacto financeiro considerado mínimo nas prefeituras mineiras. A análise do órgão de controle indica que a maior parte do funcionalismo público municipal já opera dentro dos limites de horas semanais estipulados pelo Congresso Nacional, o que reduziria a necessidade de ajustes significativos nas folhas de pagamento municipais.

 

O relatório, elaborado pela Diretoria de Fiscalização Integrada e Inteligência (Suricato) do TCE-MG, analisou um universo de 767.371 vínculos empregatícios vinculados às administrações municipais. Segundo o estudo, 92,1% desses vínculos já cumprem jornadas de até 40 horas semanais, dentro do limite estabelecido pela legislação federal, indicando que a mudança na escala de trabalho não provocará alterações substanciais na rotina do funcionalismo público local.

 

O estudo segmentou os vínculos em três categorias principais: profissionais da saúde, da educação e da área administrativa. Na saúde, os médicos representam uma parcela menor, com 14.806 vínculos, ou 1,92% do total analisado. Destes, aproximadamente 45,7% atuam com jornadas de até 20 horas semanais, reflexo da legislação que permite a acumulação de cargos e a contratação por plantões isolados. Apenas 4,6% desses profissionais trabalham mais de 40 horas semanais.

Na educação, composta por 174.491 professores da rede municipal, a maioria (69,8%) atua na faixa de 20 a 30 horas semanais, o que demonstra uma menor incidência de jornadas extensas na área. Apenas 1,7% dos docentes têm jornadas superiores a 40 horas semanais, indicando uma predominância de contratos de carga horária reduzida.

No grupo de vínculos classificados como “outros vínculos”, que inclui motoristas de ambulância, guardas municipais, coletores de lixo e técnicos de manutenção, entre outros, há uma maior concentração de jornadas de 30 a 40 horas semanais, com 55,4%. Ainda nesse grupo, 9,9% dos servidores trabalham mais de 40 horas por semana, o que representa o maior percentual de jornadas extensas dentro do funcionalismo municipal.

Apesar do relatório do TCE-MG indicar um impacto financeiro mínimo, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que a mudança poderá gerar custos bilionários para os cofres municipais, já considerados frágeis. De acordo com cálculos da entidade, o custo total da adoção da jornada 5×2 seria de aproximadamente R$ 6,6 bilhões anuais, incluindo cerca de R$ 1,49 bilhão em contratações diretas adicionais. A CNM também estima que os custos com terceirizados ultrapassariam R$ 5,14 bilhões por ano, baseando-se em dados coletados junto a gestores locais.

A entidade alerta que, para manter o nível de prestação de serviços públicos, as administrações municipais precisarão ampliar seus gastos, agravando o desequilíbrio fiscal enfrentado atualmente. Essa preocupação é compartilhada por entidades de setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que considera a medida preocupante por potencialmente ocasionar perdas econômicas, aumento do desemprego e repasse de custos à inflação. O Sistema Fecomércio de Minas Gerais também manifestou receios quanto ao impacto negativo no segmento de serviços.

 

Por outro lado, estudos de órgãos de pesquisa indicam que a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar a produtividade do país em cerca de 4%, beneficiando especialmente a juventude trabalhadora. Essas análises, produzidas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pelo Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, destacam possíveis ganhos de empregabilidade e eficiência decorrentes da mudança na legislação laboral.

Fonte: Site Bh 24 horas

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